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sexta-feira, 21 de setembro de 2012

cenas quotidianas

E-mail recebido hoje do meu amigo R que como a maioria dos portugueses, atravessa uma fase bastante complicada a nível financeiro!




"Hoje, de manhã, no comboio, dormitava embalado pelo andamento nos carris e pela insónia nocturna. Ouvi, a aproximar-se pela carruagem, alguém a pedir esmola porque não tinha as duas pernas. Era um homem de profundos olhos azuis, talvez mais novo do que eu, pois pelo menos tinha menos rugas no canto dos olhos, mas caminhava com duas próteses apoiado por duas canadianas. Por norma, não dou esmola a ninguém, pelo que ignorei o seu pedido quando chegou ao pé de mim. Preparou-se para sair na mesma estação que eu. Já era, para mim, o terceiro transporte público que apanhava e ainda tinha pela frente cerca de 2,5 km de caminhada. Porquê não sei, mas naquele momento esgravatei o interior da minha carteira e tirei de lá 0,60 € e dei-os ao homem ao meu lado, que saiu atrás de mim. Se calhar, tem mais dinheiro do que eu; se calhar tem mais apoios financeiros do que eu. Mas isso não interessa agora. O que interessa, é que no fundo, aquela esmola era para mim mesmo.



Bom fim de semana! "



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O meu amigo desejou-me um bom fim de semana...eu desejo a um bom fim de semana para todos vós!

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

posso contar uma história?

“O menino que tinha coisas na cachola”

Tarde chuvosa de domingo. Céu escuro, nuvens densas, ventania, trovoada… A criançada assustada corre e se agarra na barra da saia da mãe. Tapa os ouvidos, fecha os olhos. De repente, o mais novo pergunta. “Mãe, o que é trovão?” “É São Pedro arrumando a casa, arrastando os móveis”. “Não vai cair na nossa cabeça?” A mãe ri da ingenuidade do filho e responde, “não cai, fica tranqüilo”. “E de onde a chuva vem?” “A chuva é a água que São Pedro usa para lavar a cozinha da sua casa”, responde a mãe. “A cozinha dele deve ser grande, né mãe?” Menino inteligente. Sabe fazer perguntas. Crianças não têm medo de perguntar, não têm vergonha, nem pudor. É por isso que aprendem tudo com tanta facilidade. Curiosidade. Depois que cresce, fica cada vez mais difícil perguntar. Na escola, a criança pergunta e a professora responde: “Não estava com atenção, não menino?” Ou então, “Ainda não é hora de falar sobre esse assunto. Mais para frente vocês aprenderão sobre isso”. E assim, a curiosidade do menino vai se tornando embotada, ele guarda as coisas na caixa e deixa tudo bem fechado. Era um menino que tinha coisas na cachola. Vivia imaginando, perguntando, sonhando acordado. Até que alguém o repreendia: “Ta ficando maluco, menino? Falando sozinho?” E assim ele encaixotou tudo. Não sonha mais. Aprendeu a desenhar e a pintar na escola. “Onde já se viu sapo azul? É verde”. E ele que havia imaginado um sapo intoxicado com suco de framboesa... Bem que podia ser azul... Mas voltemos à tarde chuvosa. As crianças entediadas. A mãe tem uma idéia. Vou fazer bolinho de chuva. “Oba!” As crianças querem ajudar, se juntam na cozinha, ao redor do fogão. A mãe mistura os ovos, a farinha, o leite, o açúcar e o fermento. Aquece o óleo na frigideira e, com a colher, pega um punhado de massa e despeja no óleo quente. Parece mágica, em instantes se tornam bolinhas douradas. Depois, a mãe passa no açúcar e na canela. Põe a mesa, passa o café e todos saboreiam os bolinhos regados à prosa. “Mãe, sabia que você é a mulher maravilha? Porque você sabe tudo: sabe fazer bolinho de chuva, sabe dormir sozinha, sabe escovar os dentes...” Fase boa, em que somos os heróis de nossos filhos. Só tem uma coisa mais gostosa do que bolinho de chuva, de mãe, em tarde chuvosa: é quando falta energia elétrica à noite e o pai está em casa. É uma festa. Ou melhor, um festival. O pai acende as velas e a família faz concurso de sombras. Todos tentando adivinhar. E a figura do pai, ali presente, afasta o medo da escuridão. Nem sentem falta da TV. Quando volta a luz, as crianças fazem coro: “Ahhhh... Que pena, estava tão divertido...” Bastava continuar a brincadeira com a luz apagada, mas não tem graça. O pai, cansado, tem muita coisa para fazer. Tomar um banho, jantar, ver jornal, descansar. E as crianças voltam a brincar sozinhas. Há muitas histórias para contar, de um tempo em que não era preciso muita coisa para ser feliz... E esse tempo pode ser o hoje, o ontem, ou o amanhã, porque somos nós que escrevemos nossa história.

"Patrícia Machado Domingues Cassiano"

segundo as previsões vamos ter um fim de semana com muita chuva e vento, então lembrei desta história para partilhar com quem adora histórias como eu!!!

Aproveitem estes 3 diazinhos!

quinta-feira, 1 de abril de 2010

conto da Páscoa...

Sentado na beira da calçada, com um ovo de chocolate pequenino nas mãos, olhar sério, aquele menino pôs-se a pensar. Havia muitas coisas que ele não entendia, por mais que tentasse.
Durante a semana toda, na escola, na rua, em casa, em todos os lugares só se ouvia falar de Páscoa, coelhinho e ovos de chocolate. A professora até colocou Jesus no meio da história, mas só aumentou a sua confusão;ele não conseguia organizar o pensamento. Jesus não é aquele que nasceu no Natal ? Faz tão pouco tempo, e ele já morreu ??!!
Não, decididamente ele não entendia nada. Não sabia exatamente o que uma coisa tinha a ver com a outra.
Afinal de contas, porquê comemorar, se Jesus morreu ? Porquê os ovos de chocolate ?
E o coelho, o que ele faz nesta história ?Complicado !
Separava somente as coisas que entendia, e sabia o que era.
Entendia que estava à espera de ganhar um ovo bem grande, daqueles que tinha visto na televisão,
embrulhado num papel brilhante e com um laço de fita vermelha, que não veio, e ele sabia porquê:
o dinheiro não deu.
Ele sabia. Nem o seu pai e nem a sua mãe tinham prometido dar-lhe um ovo de páscoa; e ele sabia,
também, que o coelhinho não o trazia para ninguém. Então, como é que ele poderia satisfazer a sua vontade de comer chocolate ? Como ia passar o domingo de páscoa sem comer um ovo ?
E a idéia veio assim, de repente ! Porque não ?


Foi até ao primeiro semáforo daquela movimentada avenida e, quando o sinal ficava vermelho
ele lançava-se entre os carros e ia pedindo:
'Moço, dá-me um ovo de páscoa ?'
'Senhor, poderia me dar um ovo de páscoa ?'
'Moça, dá-me um ovo de chocolate ?'


Assim, ia pedindo e ouvindo as mais esfarrapadas respostas, quando alguém respondia.
Até que, enfim, parou um carro velho, todo manchado de ferrugem.
Dentro, um homem com cara de bravo... Ele tomou coragem, foi até lá e arriscou o mesmo pedido:
'Moço, eu quero um ovo de páscoa'.
E qual não foi sua surpresa quando aquele homem pegou, no banco do passageiro,
um embrulhinho e lho estendeu pelo vidro.


'Obrigado'
E saiu disparado.

De volta à sua calçada, ele olhou o ovinho e sorriu feliz.


(autor desconhecido)


Desejo a todos uma Santa e Feliz Páscoa!
Agora vou ali comprar coelhinhos de chocolate para  as minhas ninas (elas pediram muito muito muito!)
 
Abraço e beijinhos de chocolate!